Nosso “Café com prosa” aconteceu no dia 10 de junho de
2017 nas dependências da Claids. Tivemos como convidado o filósofo Deonato
Feltz Junior, o qual, apresentou uma oportunidade para que pudéssemos ouvir um
pouco sobre sua vida acadêmica e também sobre seu texto que fomos instruídos a
ler anteriormente o que possibilitou questionarmos sobre dúvidas que poderiam
ter surgido ao longo de nossa leitura.
O local foi bem agradável, saímos da mesmice de uma sala
de aula para prosear em um ambiente diferente e com um ótimo coffee break. Também consegui identificar
um ponto negativo, pois, por ser um local que recebe visitantes, a conversa
alheia atrapalhou um pouco a concentração.
Junior se mostrou uma pessoa agradável e com uma certa
timidez, mas nada que o atrapalhasse em seu desenvolvimento. Ele começou se
apresentando e dizendo como foi a sua trajetória para chegar à Educação Física,
e depois até a dança.
Junior foi criado por sua família que, por ser religiosa,
fazia com que se sentisse preso a certos limites, e encontrou através da
Educação Física uma saída para conhecer melhor seu corpo, seus desejos, até que
se identificou/encontrou a dança, com a qual começou sua caminhada com a dança
afro-brasileira e hoje é integrante da escola de dança de Ballet Contemporâneo.
O filósofo, nos fez uma provocação à respeito do que
seria o tempo para nós, e foi algo que realmente me fez pensar. Ele citou Santo
Agostino para explicação do tempo, e também entrou na mitologia grega com
explicação de tempo através das terminologias kronos e kairós, em que kronos era um ser violento e cruel,
devorando seus próprios filhos assimilando-se a um tempo que não poupa ninguém,
consumindo tudo para se manter eterno. Já kairós
era muito veloz, impossível de se agendar um encontro com ele, uma simbologia
de um tempo que não precisava destruir para ser eterno, sua eternidade estava
em saber aproveitar as oportunidades.
Para Junior, a dança não é só um conceito, uma arte ou um
esporte. É um local que ele cria e pode habitar tirando o tédio que aprisiona
sua mente nos limites do tempo kronos,
que é o tempo do dia-a-dia que devora a nossa vida. Destacou em sua fala que
“Tentar entender os sentidos da dança, seria o mesmo que tentar capturar a
fumaça com as mãos”, isso me fez pensar o quanto a dança o faz bem, faz com que
ele encontre o seu próprio EU, não tendo argumentos possíveis para explicações.
Pude aprender com essa experiência que o tempo é algo que
pode ser diferente pra mim e para o outro, mesmo sendo igual cronologicamente,
basta saber aproveitá-lo como eu realmente desejo. Também chamou a minha atenção
a questão de que a Educação Física ajuda no conhecimento da nossa identidade. Ela
não é necessariamente apenas um componente curricular, ela nos resgata dando um
sentido à vida, nos faz pensar no corpo e alma.
Minha impressão é que Junior achou, através da dança o
seu próprio tempo, o sentido da sua vida, vivendo/realizando o que o deixa “vivo”,
a dança.
Thais Toniato